Um novo olhar sobre o início da vida psíquicaDonald Woods Winnicott foi um pediatra britânico que viria a tornar-se uma das figuras mais marcantes da psicanálise do século XX. A sua formação como psicanalista começou no final da década de 1920, numa altura em que a psicanálise ainda estava fortemente marcada pelas ideias de Freud. No entanto, Winnicott viria a desenvolver uma abordagem profundamente inovadora, que alterou de forma significativa a forma como entendemos o desenvolvimento emocional humano. Do pediatra ao psicanalista: um percurso singularWinnicott iniciou a sua prática clínica enquanto pediatra, o que lhe deu contacto direto e contínuo com bebés e crianças pequenas, bem como com os seus cuidadores. Esta experiência revelou-se fundamental para o desenvolvimento da sua teoria, paralelamente submeteu-se a um processo de análise pessoal e concluiu a sua formação como psicanalista, tendo sido o primeiro homem a qualificar-se como analista de crianças no Reino Unido.Ao longo da sua carreira, conciliou a prática da psicanálise com o trabalho pediátrico, tornando-se particularmente conhecido pelo seu trabalho no hospital de Paddington Green, em Londres. A relação próxima com as mães e os bebés que acompanhava, bem como a sua experiência clínica com adultos, permitiu-lhe desenvolver uma compreensão única da mente humana desde os seus primórdios.A centralidade do ambiente e da relação com os paisUma das ideias centrais da sua teoria é que o bebé não pode ser compreendido isoladamente D.W.Winnicott afirmou, de forma provocadora, que “não existe tal coisa como um bebé” — querendo com isto dizer que o bebé só existe em relação com a figura materna ou cuidadora. É nesse vínculo precoce que o bebé começa a construir o seu sentido de identidade, de segurança e de continuidade emocional.Para Winnicott, o desenvolvimento saudável do self depende de um ambiente suficientemente bom, em que as necessidades do bebé sejam compreendidas e respondidas de forma empática. Quando esse ambiente falha, podem surgir perturbações profundas na estrutura da personalidade. Os fenómenos transicionais e o início da simbolizaçãoOutro contributo notável do autor é o conceito de objeto transicional. Trata-se de um objeto — como uma fralda, um boneco ou um pano — que o bebé escolhe e investe emocionalmente. Esse objeto representa uma ponte entre o mundo interno e o mundo externo, entre a dependência absoluta e o início da autonomia. É através da relação com esse objeto que o bebé começa a distinguir o que é “eu” do que é “não-eu” e a dar os primeiros passos na construção do pensamento simbólico.A utilização do objeto: sobrevivência e agressividadeNum estágio posterior do desenvolvimento, Winnicott explorou o que chamou de uso de um objeto. Para o bebé usar verdadeiramente um objeto externo (como um cuidador, por exemplo), esse objeto tem de “sobreviver” às suas expressões de agressividade e frustração.Esta sobrevivência emocional — o facto de o objeto continuar presente e não retaliar ou desaparecer — permite ao bebé reconhecê-lo como separado de si, e começar a relacionar-se com ele de forma mais realista e autónoma.Com este conceito, Winnicott ofereceu uma alternativa à teoria clássica da pulsão de morte, propondo uma nova forma de pensar a agressividade como parte integrante e necessária do processo de maturação emocional. O pensamento de Winnicott em três fases: –A relação entre o indivíduo e o ambiente – onde o foco está na dependência do bebé face aos cuidadores e no impacto do ambiente nos primeiros momentos da vida psíquica;–Os fenómenos transicionais – fase em que se explora a simbolização e o início da separação entre o self e o mundo exterior;–O uso do objeto – que introduz uma visão inovadora sobre a agressividade e o reconhecimento do outro como objeto real. Winnicott não só contribuiu com ideias originais que influenciaram profundamente a psicanálise, como também foi um membro ativo da comunidade psicanalítica britânica, desempenhando funções de liderança e participando em debates fundamentais da época.A sua obra, composta por artigos científicos, correspondência e textos clínicos, continua a ser amplamente estudada e citada em todo o mundo. A influência do seu pensamento vai muito além da psicanálise, estendendo-se à pedagogia, à psicologia do desenvolvimento e até à filosofia da mente. “É no brincar, e talvez apenas no brincar, que o indivíduo é capaz de ser criativo e de usar toda a sua personalidade, e é só sendo criativo que o indivíduo descobre o self.”— Winnicott, D.W. (1971). “Playing: Its Theoretical Status in the Clinical Situation”. In: Playing and Reality
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No passado dia 20 de dezembro de 2024, a sede do projeto Passo a Passo inaugurou o seu espaço físico sediado em Esgueira em parceria com a empresa Mentes Espantosas. Este espaço é ideal para momentos de formação e sessões no âmbito do projeto Passo a Passo em contexto individual ou em grupo. Morada: Rua do Cruzeiro, loja 119 – Piso R/c, 3800-300
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Com a missão de entregar uma resposta especializada ao nível das perturbações de neurodesenvolvimento e incapacidade motora, foi criado o passo a passo Kids, orientado para crianças com limite de idade até aos 12 anos e respetivas famílias. Foi criada uma sala bem equipada, preparada para auxiliar numa prespetiva de estimulação do desenvolvimento ou numa prespetiva de intervenção nos quadros clínicos alvo em patologias já diagnosticadas ou com suspeita de diagnóstico. Foca-se na estimulação sensorial, motora, cognitiva e acompanhamento psicológico.As personagens são retratadas de forma vívida, mostrando a diversidade da natureza humana. Destinado a: 1. Crianças/Jovens portadores de perturbações do neurodesenvolvimento: Perturbação do Espectro do Autismo Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção Síndrome de Down Perturbação Específica da Aprendizagem Perturbação de Oposição e Desafio; 2. Crianças/Jovens portadores de incapacidade motora: Paralisia Cerebral; 3.Pais/cuidadores diretos com necessidade de acompanhamento psicológico Possibilidades de intervenção: Estimulação com a Criança; Estimulação e Acompanhamento psicológico para a criança; Estimulação com a criança e acompanhamento psicológico para os respetivos pais/cuidadores; Estimulação com a criança e acompanhamento psicológico para a mesma e para os respetivos pais/cuidadores; Acompanhamento psicológico para pais/cuidadores diretos; Profissionais Responsáveis pela execução das sessões: Psicólogos; Psicomotricistas; Nutricionistas;
